Domingo, 9 de Junho de 2013

3 anos

 

                Naquele dia tudo mudou… As lágrimas correram pelos olhos durante umas semanas… Foram dias dolorosos e dos mais difíceis que já vivi até hoje. Foram os piores sentimentos que senti.

                No último dia em que te vi com vida, já abalada, mas com vida só me apetecia chorar quando entrei no quarto onde estavas e te vi naquele estado. Tu, que eras guerreira, estavas ali, nas mãos dos médicos. Foi um momento tão, mas tão frágil… Tu, estavas tão frágil… Quando me cheguei junto a ti, dei-te um beijo e a tia perguntou-te quem era e tu, numa voz ténue respondeste “É a minha Sandrinha?”. Foi a última vez que me chamaste assim, foram tão breves aquelas horas que estivemos lá contigo, para lutares, para te agarrares à vida, mas já estavas debilitada demais. Apesar de tudo eu tinha uma esperançazinha e quando saí à porta para fora nunca pensei que fosse a última vez que te visse com vida. Mas já estavas tão fraquinha que acho que Deus te levou para junto dele para atenuar o teu sofrimento e, ao mesmo tempo, o sofrimento de quem te via progressivamente a caminhar para junto Dele.

                Até que o dia do telefonema chegou, foi horrível… E quem deu a notícia ao avô fui eu, ficou destroçado, desamparado, sem forças… Ele amava-te, ou melhor, ele ama-te e eu não tenho dúvidas nenhumas disso. O vosso amor sempre foi lindo e maravilhoso. Se toda a gente experimentasse um amor como o vosso tenho a certeza que seriam muito mais felizes. Mas não foi isso que me trouxe aqui… O que me trouxe foi o facto de estarem a passar 3 anos desde a nossa despedida. No entanto, eu sinto-te dentro de mim e sinto que estás por perto, que és a nossa estrelinha, a mais brilhante, a mais simples, a mais nossa.

Burrice da minha parte perceber tarde demais… Perceber, quando partiste, que eras especial. Todo este acontecimento me levou a pensar aprofundadamente… Foi contigo que cresci, foi contigo e com o avô que eu andei pelas terras a plantar couves (como eu me lembro…), era contigo e com o avô que eu já “ensaiava”, inocentemente, pois fazia de conta que vos ensinava as letras enquanto fazíamos tempo para o avô me levar à escola. Eram vocês que me agasalhavam naqueles dias de puro Inverno para que eu chegasse seca e quente à escola. Por sempre ter crescido contigo, pensava que nunca partirias e andava sempre às “turras” contigo e tu comigo, mas nunca foi por mal, ambas sabemos. E percebi tarde demais que eras e sempre foste imprescindível. Percebi-o quando fiquei sem ti e quando já não me podia “meter contigo”. As nossas picardias eram momentos nossos; momentos que a tua morte nos tirou.

Espero que tenhas “guardado” bem, no coração, na alma, onde quer que seja, o papel que te escrevi e te coloquei entre as mãos quando elas já estavam uma contra a outra, junto ao peito. Espero também que daí, de onde estás, estejas orgulhosa de todos nós, e aqui falo um pouco de mim, que andavas sempre a dizer “Já estás mais magra outra vez” e que agora tive este progresso (Deus queira que assim continue) a olhos vistos… Quem sabe se não foste tu a dar uma mãozinha daí de cima! Sim, porque agora vês, o que antes não conseguias fazer.

                E onde estiveres, sei que estás a olhar por nós, sim, porque eu acredito que estás.

publicado por San às 13:17
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4 comentários:
De Dri a 10 de Junho de 2013 às 10:58
Obrigada!

Nos dias de hoje, é fundamental acreditar!


De Isabela a 10 de Junho de 2013 às 22:24
Tanta emoção num texto...as pessoas boas deixam sempre saudades querida, sei bem o que isto é!
Eu gosto imenso de touch, não dispenso mesmo, até os acho bastante resistentes e mais duradouros do que um telemóvel de teclas :D


De Isabella a 12 de Junho de 2013 às 17:02
Muito obrigada querida! :)


De H. a 13 de Junho de 2013 às 19:31
Olá :)


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