Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Olhando o mar, sonho sem ter de quê, FP

 "Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
 Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
 Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
 De que me servem a verdade e a fé?

 Ver claro! Quantos, que fatais erramos,

 Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
 Temos esta certeza e sempre e em tudo
 Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

 As árvores longínquas da floresta
 Parecem por longínquas, 'star em festa.
 Quanto acontece porque se não vê!
 Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.
 
 Se tive amores? Já não sei se os tive.
 Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
 Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
 E a vida morre enquanto o ser revive. 

 Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
 Motivos coloridos de morrer?
 Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
 Se te agrada e tudo é deixar de o haver?"

 Fernando Pessoa
publicado por San às 14:53
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2 comentários:
De Teresa a 27 de Janeiro de 2012 às 17:51
Acho que ele (d)estabilizou... aquela bola de pêlo deixa-me louca! *.*


De Andreia a 28 de Janeiro de 2012 às 17:49
Quando comecei a ler vi logo que autor era :b


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